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Testemunho

A

jornada

que me

trouxe

de volta

para mim

mesma

Cresci sem saber o que era gostar de mim mesma. Desde cedo aprendi a me enxergar pelo olhar dos outros. Na escola, o bullying era constante. Eu estava acima do peso, não me encaixava nos padrões e, sem perceber, comecei a acreditar em tudo o que diziam sobre mim. Com o tempo, passei a usar a mesma lente cruel para me enxergar. Não gostava do meu corpo, da minha pele, do meu cabelo. Carregava uma autoestima tão fragilizada que já não conseguia separar quem eu era das críticas que recebia.

Conheci Jesus em 2002 e passei pelas águas em 2004. Algo começou a mudar dentro de mim, mas quase ao mesmo tempo meu corpo começou a me desafiar de uma forma que eu não esperava. Durante a faculdade de Farmácia, comecei a perder boa parte dos meus cabelos. Aquilo mexeu profundamente comigo. Cheguei a não querer sair de casa. Usava boné, evitava lugares e me sentia exposta o tempo todo. Foi também nessa época que recebi o diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos. Ter uma explicação para o que estava acontecendo trouxe algum alívio, mas ainda existia uma pergunta muito mais importante sem resposta: se eu perdesse tudo aquilo em que baseava meu valor, quem eu seria?

A resposta começou a chegar na virada para 2009. Eu estava na casa da minha avó quando peguei uma Bíblia e, sem planejar, comecei a ler Provérbios 31. Enquanto lia, algo dentro de mim foi sendo restaurado. Não era apenas emoção. Era como se Deus estivesse desfazendo, uma a uma, as mentiras que eu havia acreditado durante anos. Pela primeira vez, consegui enxergar valor onde antes só via defeitos. Naquela noite, Deus começou a reconstruir minha autoestima através da Sua verdade.

Foi justamente nesse processo que minha identidade começou a ser revelada. Quando parei de me definir pela rejeição, pela aparência ou pela opinião dos outros, passei a entender quem eu era aos olhos de Deus. E quando essa identidade foi fortalecida, o propósito apareceu como consequência natural.

Ainda em 2009 nasceu o blog Eu Sou Preciosa. Eu escrevia sobre autoestima, identidade, propósito, fé e feminilidade. O que começou como um espaço simples rapidamente se transformou em uma comunidade. Mulheres de diferentes lugares começaram a acompanhar o projeto, compartilhar suas histórias e caminhar juntas. Mais tarde, o blog cresceu e se tornou a Revista Preciosa, alcançando milhares de mulheres. Pela primeira vez, eu sentia que minha dor tinha encontrado um propósito.

Mas a vida nem sempre segue em linha reta.

Em 2013 me casei e, aos poucos, comecei a me afastar da mulher que Deus havia me mostrado que eu era. Não aconteceu de uma vez. Foi um processo silencioso. Em meio às dores e desafios que vivi naquela fase da minha vida, fui me desconectando da minha autoestima, da minha identidade e do propósito que um dia havia sido tão claro para mim. Foram quase nove anos em que me senti distante de mim mesma, vivendo mais para sobreviver do que para revelar o brilho e o propósito que Deus havia sonhado para mim.

No final de 2022, entendi que precisava tomar uma decisão difícil para voltar a caminhar em verdade. Foi o início de um processo profundo de restauração, no qual Deus começou a reconstruir áreas da minha vida que eu acreditava ter perdido. Aos poucos, Ele foi abrindo portas que eu jamais poderia planejar sozinha. Uma nova cidade se tornou lar. Uma nova igreja se tornou família. Novas amizades trouxeram vida. E, de forma surpreendente, Deus também me presenteou com um novo casamento, construído sobre os valores, o amor e a parceria que eu sempre havia pedido em oração.

Foi justamente nesse período que aconteceu algo que jamais esquecerei. Em um domingo aparentemente comum, uma irmã se aproximou e compartilhou uma palavra da parte de Deus. Entre muitas coisas, ela me perguntou: Até quando você vai se esconder? E então veio a frase que atravessou meu coração: Você esqueceu que é Preciosa?

Naquele instante, senti como se Deus estivesse me chamando de volta pelo nome.

Não era apenas sobre retomar um projeto. Era sobre retomar uma identidade. Era sobre voltar para o lugar onde tudo havia começado. Era sobre lembrar quem eu era e tudo aquilo que Ele havia me chamado para viver.

A Preciosa Club nasceu desse reencontro.

Ela existe porque eu conheço a dor de não gostar da mulher que vejo no espelho. Conheço o peso de carregar feridas que ninguém vê. Conheço a sensação de se perder entre expectativas, responsabilidades e comparações. Mas também conheço o que acontece quando Deus restaura a autoestima, fortalece a identidade e desperta novamente o propósito.

Hoje não estou aqui como alguém que chegou ao destino. Estou aqui como alguém que conhece o caminho. E foi por isso que criei a Preciosa Club: para que outras mulheres descubram que existe uma raridade dentro delas que nunca deixou de existir, apenas estava esperando ser revelada.

Porque nenhuma mulher foi criada para brilhar sozinha. E eu quero te convidar a caminharmos juntas nessa jornada de volta à nossa essência, revelando o brilho que Deus sempre viu em nós.


Aline Belota
Fundadora da Preciosa Club

@2026 Preciosa Club. Todos os direitos reservados.

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