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O que significa "feito de modo assombroso e admirável"?
Deus não cria rascunhos. Entenda a profundidade do Salmo 139:14 e descubra por que cada detalhe de quem você é foi desenhado com intenção, reverência e identidade do Criador.

O texto faz parte do Salmo 139:14 (NVI):
"Eu te louvo porque me fizeste de modo assombroso e admirável. As tuas obras são maravilhosas! Sei disso muito bem."
Escrito pelo rei Davi em um momento de profunda intimidade e confiança na presença de Deus, esse versículo revela algo muito importante sobre a maneira como Deus nos vê: não somos fruto do acaso. Há intenção, cuidado e propósito na obra de Suas mãos.
1. "Feito de modo assombroso" (Reverência e temor)
No hebraico, a expressão traduzida como “assombroso” está relacionada à ideia de algo que desperta temor reverente, espanto e profunda admiração. Não se trata de medo destrutivo ou pânico, mas daquela sensação que nos invade quando contemplamos algo grandioso e percebemos que estamos diante de algo maior do que nós mesmos.
É a sensação de contemplar o nascer do sol no alto de uma montanha, observar a imensidão do mar ou segurar um recém-nascido nos braços. Existe algo nessas experiências que nos faz parar por alguns instantes e simplesmente admirar.
Davi está dizendo que foi assim que ele percebeu a obra de Deus em si mesmo. Ao olhar para a própria existência, ele não encontrou apenas matéria, corpo e acaso. Encontrou as marcas de um Criador.
E isso também muda a maneira como podemos olhar para nós mesmas. Fomos criadas por Deus e conhecidas por Ele antes mesmo de compreendermos quem somos. O próprio Salmo 139 continua descrevendo como Deus conhecia Davi desde o ventre e como seus dias já eram conhecidos por Ele antes que qualquer um deles existisse.
2. "Feito de modo admirável" (Distinção e singularidade)
A segunda expressão reforça essa ideia. A palavra hebraica utilizada no versículo está relacionada àquilo que é maravilhoso, extraordinário e que ultrapassa o comum.
Ser feito de modo admirável significa reconhecer que você não é resultado de uma produção em série. Existe uma singularidade naquilo que Deus criou.
Isso não significa que você seja superior a outra pessoa, nem que precise se destacar para provar o seu valor. Significa que não existe outra mulher exatamente como você. Sua personalidade, sua história, seus dons, suas experiências e a maneira como você percebe e se relaciona com o mundo compõem uma combinação que não se repete.
A singularidade não está em ser melhor. Está em ser única.
O que nos torna tão admiráveis?
Criados à imagem de Deus: entre toda a criação apresentada em Gênesis, o ser humano recebe uma descrição singular: fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27). Nossa identidade começa, portanto, não naquilo que fazemos ou na maneira como somos percebidos pelas pessoas, mas naquele que nos criou.
Um projeto cuidadosamente formado: basta observar o próprio corpo para perceber a complexidade da criação. O coração bate sem que precisemos ordenar, os pulmões trabalham continuamente, os sentidos nos permitem perceber o mundo e o cérebro coordena processos que sequer somos capazes de acompanhar conscientemente. Existe uma complexidade extraordinária em nós que nos convida a olhar para além de nós mesmos e reconhecer a grandeza do Criador.
Uma identidade exclusiva: não existem duas pessoas com a mesma história, a mesma personalidade, os mesmos dons e a mesma trajetória. Deus não precisou repetir você para criar outra mulher. Sua singularidade não é um acidente, é parte daquilo que torna a criação tão admirável.
Mesmo que o pecado, as experiências e as mentiras que aprendemos ao longo da vida tentem distorcer a maneira como enxergamos nossa identidade, a verdade permanece: somos criação de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras, que Ele preparou para que vivêssemos nelas (Efésios 2:10).
Você não precisa ser perfeita para reconhecer o valor daquilo que Deus criou. Também não precisa deixar de desejar mudanças ou amadurecer em diferentes áreas da vida. Crescer faz parte da nossa caminhada. O que precisa mudar é a razão pela qual buscamos essa transformação.
Você não precisa se transformar porque acredita que existe algo essencialmente errado em você. Pode crescer a partir da certeza de que já existe valor naquela mulher que Deus criou e que ainda está sendo formada ao longo da caminhada.
Talvez seja justamente isso que o Salmo 139 nos convida a fazer: parar de olhar para nós mesmas apenas através das nossas inseguranças, comparações e rótulos e começar a considerar a obra de Deus com o mesmo cuidado com que Ele a criou.
Então eu deixo uma pergunta para você:
Quando você olha para si mesma, consegue reconhecer uma obra admirável de Deus ou ainda acredita que Ele errou em algum detalhe quando criou você?
Talvez a resposta para essa pergunta revele muito mais sobre a maneira como você aprendeu a se enxergar do que sobre quem você realmente é.
Vamos orar?
“Senhor, eu quero aprender a me enxergar como Tu me vês.
Muitas vezes, eu olhei para mim através da comparação, das minhas inseguranças e das palavras que ouvi ao longo da vida. Acabei acreditando que precisava ser diferente para ter valor, como se houvesse algo em mim que precisasse ser consertado antes que eu pudesse me sentir verdadeiramente amada.
Hoje, eu quero lembrar que fui criada por Ti. Que existe intenção naquilo que Tu fizeste e que minha identidade não precisa ser construída a partir daquilo que as pessoas pensam sobre mim.
Ensina-me a reconhecer a Tua obra em mim, inclusive nas partes que ainda não consigo compreender ou aceitar. Dá-me sabedoria para distinguir aquilo que precisa ser transformado daquilo que eu apenas aprendi a rejeitar em mim mesma.
Que eu não viva tentando me encaixar no que o mundo espera de mim, mas aprenda, cada dia mais, a viver a partir de quem Tu dizes que eu sou.
Em nome de Jesus, amém.”



